Tantos carros, pouco tempo.
Vidas cheias, dias vazios.
Trabalho, trabalho, trabalho.
Os "mãos-de-obra" que alimentam a nação.
Suas crianças na creche, (desa)proximidade.
Viver para servir, morrer para servir.
Esperança de futuro melhor.
Milhares de rostos, a incógnita da felicidade.
Pão e vinho no domingo, consolação.
Plantar sementes, colher eternidade em paraíso.
Esperar. Esperar e continuar, continuar esperando.
Acreditar que aquela roupa, aquele carro
Trará alguma felicidade.
Morrendo esperando...
domingo, 15 de maio de 2011
terça-feira, 12 de abril de 2011
"A natureza humana, conforme as constatações de Maquiavel, é imutável, isto é, os seres humanos foram essencialmente os mesmos em todas as épocas e sociedades, e certamente permanecerão como tais nos tempos futuros. E os homens são, por natureza, egoístas, caprichosos, dissimulados, ambiciosos, volúveis, ingratos e interesseiros. Nota-se uma lista de qualidades que, de um ponto de vista moral, são todas negativas, não sendo difícil perceber que os homens não são seres naturalmente confiáveis e dispostos à colaboração sincera uns com os outros. Sendo assim, sob esse ponto de vista é razoável suspeitar que as relações entre os seres humanos sempre escondem, sob a aparência de associação solidária, os interesses individuais ou, em linguagem direta, as amizades existem apenas pelos interesses egoístas das partes envolvidas." (O temor dos súditos como fundamento do poder estatal, Filosofia ENSINO MÉDIO, Ed. Ético)
Porque não pude parar p'ra Morte
Porque não pude parar p'ra Morte, ela
Parou p'ra mim, de bondade.
No coche só cabíamos nós duas
E a Imortalidade.
Viagem lenta - Ela não tinha pressa,
E eu já pusera de lado
O meu trabalho e todo o meu lazer,
P'ra seu exclusivo agrado.
Passamos a escola - no ring crianças
Brincavam de lutador -
Passamos os campos do grão pasmado -
Passamos o sol-pôr -
Melhor dizer, ele passou por nós.
E o sereno baixou gélido -
Era de gaze fina a minha túnica -
E minha capa, só tule.
Paramos numa casa; parecia
Um intumescido torrão:
O telhado da casa mal se via,
A cornija rente ao chão.
Desde então faz séculos - mas parecem
Menos que o dia, em verdade,
Em que vi, pelas frontes dos cavalos,
Que iam rumo à eternidade.
Emily Dickinson
Parou p'ra mim, de bondade.
No coche só cabíamos nós duas
E a Imortalidade.
Viagem lenta - Ela não tinha pressa,
E eu já pusera de lado
O meu trabalho e todo o meu lazer,
P'ra seu exclusivo agrado.
Passamos a escola - no ring crianças
Brincavam de lutador -
Passamos os campos do grão pasmado -
Passamos o sol-pôr -
Melhor dizer, ele passou por nós.
E o sereno baixou gélido -
Era de gaze fina a minha túnica -
E minha capa, só tule.
Paramos numa casa; parecia
Um intumescido torrão:
O telhado da casa mal se via,
A cornija rente ao chão.
Desde então faz séculos - mas parecem
Menos que o dia, em verdade,
Em que vi, pelas frontes dos cavalos,
Que iam rumo à eternidade.
Emily Dickinson
segunda-feira, 4 de abril de 2011
Cinzas do Ontem.
As árvores estão secas. A vida já se foi. O que sobra é apenas um corpo, já moribundo, ébrio pelas tristezas. Um copo de vinho, um cigarro apagado. Dor evidente, sofrimento que já estou acostumada. A cada dia que passa, a vontade é maior. Quero fujir, me libertar. Essa depressão não me deixa enxergar. Nos outros mundos tudo parece feliz, real, e porque eu não consigo a eles me juntar? Tudo dói, corrói. A vida mata. A cada dia mais perto, do descanso eterno. Aqui neste cemitério a criança perdida se sente encontrada. Não há vida eterna, então por que o sofrimento deveria ser?
terça-feira, 29 de março de 2011
Rap Oo
Andei fazendo um Rap, pra um trabalho de sociologia. Achei meio idiota, mas vou postar aqui.
"Nós temos as ideias, eles tem as gravadoras
"Nós temos as ideias, eles tem as gravadoras
Nós temos a platéia, eles tem as manjedouras
Nós temos a vontade de mudar, eles o desejo de perpetuar
Nós temos a vontade de crescer, eles tem o desejo de nos humilhar
A cultura não cresce, eles não deixam
A gente só pensa, o que eles querem que pensam
Eles moram em palácios, nós moramos na favela
Andam de carro importado e nós andamos de magrela
E a cultura não muda porque eles fazem assim
Eles dizem que não mas nós dizemos que sim
E esse Rap não vai, a cabeça deles mudar
Só queremos falar, o que viemos a falar
A verdade é essa, nada temos a mudar
A vida é assim e nada vai adiantar
Pobre hoje, pobre amanhã
Explorados pelos ricos sentados no divã
Os ricos lá em cima e pobres aqui em baixo
A maneira que eles têm não é a maneira que eu acho
Eles colocam seus filhos em colégio particular
E nós ficamos com professores que nem aula querem dar
E a função da sociologia não é julgar, muito menos humilhar, apenas analisar
A vida é dura e sempre vai ser, pra eles é fácil e é difícil pra você.
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